A MORTE NAS RELIGIÕES


O Dia de Finados já passou. De todos os modos, ainda em tempo, podemos refletir mais um bocado acerca da questão “morte”. Foi isso que eu acabei fazendo ao reler um livro que, ainda em 2007, muito me encantou. Recomecei a folhear as páginas de “O livro das religiões”, escrito por Jostein Gaarder (autor de “O mundo de Sofia”).

No livro são feitas várias definições acerca da religião em nível geral. Em dado momento, o autor, após definir diversos conceitos (dentre eles os conceitos de divindade e mundo), dialoga acerca do conceito de homem (ou ser humano).  Ao conceituar a humanidade no ambiente das religiões, o autor flagra o leitor com uma interessante descrição do significado da “morte” nos diversos ambientes e contextos religiosos. O autor escreve:

       “Assim como as origens do homem requerem uma explicação, a maioria das pessoas se preocupa em saber o que acontecerá com elas quando morrerem.
       As sepulturas dos vikings, nas quais os mortos eram enterrados com armas, ornamentos e comida, mostram que a ideia da vida após a morte não é nova. Os gregos antigos acreditavam no Hades, onde os que partiram passavam a levar uma existência tênue, feita de sombras. O ideal guerreiro da era dos vikings se espelha na crença que tinham no Valhala, onde os heróis lutam suas batalhas e morrem durante o dia, voltando novamente à vida durante a noite. Certas tribos indígenas da América do Norte ainda têm fé na existência dos "eternos campos de caça", com uma profusão de caça de todos os tipos.
       Em várias sociedades, os mortos continuam existindo sob a forma de espíritos ancestrais, em íntima proximidade com os vivos. Eles oferecem aos vivos segurança e proteção, e em troca exigem que se façam sacrifícios em seus túmulos.
       Quando se pergunta o que continua vivo, obtêm-se diversas respostas. Em geral, diz-se que é algo chamado de alma, mas em muitas tribos africanas não existe a divisão corpo e alma. Mesmo no cristianismo, a "vida eterna" não é associada a uma "alma eterna". Menciona-se a "ressurreição do corpo", ou, em outras palavras, a reconstituição da pessoa inteira. E verdade que o cristianismo fala num "corpo espiritual", porém isso serve para enfatizar a ideia de que o homem, após a ressurreição, não se tornará um espírito indefinido.
       As religiões costumam ter ideias diferentes sobre a salvação. Algumas creem que o homem pode ser salvo por um poder divino, ao passo que outras afirmam que ele deve resgatar a si mesmo — e para isso indicam uma variedade de métodos.” (In.: O livro das religiões. p.26-27).

Percebe-seque, por mais que vejamos a morte de maneira distinta, no mundo religioso ela é uma questão ainda imatura, para os que seguem este ou aquele doutrinamento religioso.

Cientes de nossa confissão de fé como cristãos, não podemos nos isolar de refletir e entender o tema morte. Que o façamos não somente no dia 02 de novembro, nem somente no Domingo da Eternidade (Cristo Rei ou Último do Ano Eclesiástico). Que o façamos ao longo de nossa vida!

Marcelo Peter

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